segunda-feira, outubro 26, 2009

Segundo estudo, aumento da carga horária em ciências faria Brasil ganhar oito posições em ranking internacional


Demétrio Weber

BRASÍLIA - Uma carga horária maior em disciplinas como matemática, ciências e leitura melhora a aprendizagem dos alunos e pode ser um passo determinante em direção a um ensino de maior qualidade. O economista e professor Victor Lavy, da Universidade Hebraica de Jerusalém e da Universidade de Londres, analisou resultados de 50 países e constatou que uma hora a mais de aula por semana aumenta a nota dos estudantes.
Lavy apresentará as conclusões da pesquisa nesta segunda-feira, no Rio, em seminário promovido pela Fundação Itaú Social.
Em média, segundo Lavy, uma hora a mais de aula de ciências, cinco vezes por semana, permitiria que a Espanha desbancasse a Finlândia, saltando do 31º para o 1º lugar no ranking do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa 2006), da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O Brasil subiria da 52ª posição para, no mínimo, a 44ª, à frente da Turquia e atrás do Uruguai.
O estudo conclui que uma hora a mais de aula por semana representa um acréscimo de cerca de 15 pontos na nota do Pisa, entre as nações da OCDE. Já nos países em desenvolvimento, o impacto é metade disso. Participam do exame jovens de 15 anos, independentemente da série em que estejam matriculados.
- Tais evidências podem ser muito importantes para a política (educacional), porque é relativamente fácil aumentar as horas-aula, desde que haja recursos disponíveis - escreveu Lavy.
Lavy: sem qualidade, não adianta ampliar tempo


O professor destaca, porém, que não basta ampliar a carga horária, já que o impacto está ligado diretamente à qualidade da escola. O raciocínio é simples: estudar mais tempo com um bom professor será muito mais proveitoso do que com um profissional despreparado.
Não é à toa que os estudantes no Primeiro Mundo dedicam praticamente o mesmo tempo às aulas de matemática do que seus colegas de nações em desenvolvimento - em média 3,3 horas por semana contra 3,1. Mas atingem média de 506,5 pontos no Pisa, na escala até 850, ante 398,5 dos países em desenvolvimento.
Em média, as três disciplinas somam 9,2 horas semanais nas nações da OCDE contra 8,6 horas nos países em desenvolvimento. A nota média geral da OCDE nas três disciplinas é de 504,3 ante 399,7 dos países em desenvolvimento. A pesquisa levou em conta ainda avaliações em Israel.
No Brasil, o número médio de horas-aula de matemática por semana, em 2006, era de 2,7; ciências, 2; e leitura (o equivalente à língua portuguesa), 2,6, totalizando 7,3 horas semanais para as três disciplinas. A pesquisa cita dados informados ao Pisa pelo governo brasileiro.
O levantamento considerou 49 dos 57 países avaliados pelo Pisa em 2006. Eles foram divididos em três grupos: OCDE, com 22 países; leste europeu (14); e nações em desenvolvimento (13). O benefício do aumento da carga horária foi medido dentro de cada grupo, já que as diferentes realidades socioeconômicas impedem comparações gerais.
Para Lavy, o êxito de uma escola requer: 1) autonomia para contratar e demitir professores; 2) autonomia orçamentária, com liberdade para decidir se é melhor criar um programa de bônus para professores ou reformar o ginásio de esportes; e 3) total transparência na divulgação de avaliações externas (Prova Brasil) que mostrem o nível de aprendizagem dos estudantes.
Para professor, cabe aos gestores definir prioridades
Embora seu estudo revele que a ampliação da carga horária produz bons resultados, o economista ressalva que cabe a cada gestor decidir onde aplicar os recursos da educação. Indagado se seria melhor aumentar o número de horas-aula ou instituir um programa de bônus para professores, atrelado ao desempenho profissional e à aprendizagem dos alunos, Lavy respondeu:
- É uma pergunta difícil. Este estudo mostra o quanto é importante uma hora adicional de aula. Ainda não calculei a relação custo-benefício.
O Seminário Internacional de Avaliação Econômica de Projetos Sociais será realizado nesta segunda-feira no Centro de Convenções Bolsa do Rio, das 9h30m às 18h.

sexta-feira, outubro 23, 2009

Representantes do ensino superior pedem ao MEC suspensão do Enade


Tatiana Farah
SÃO PAULO - Após a Polícia Rodoviária Federal ter encontrado provas do Enade 2009 sem o lacre de segurança, numa blitz de rotina em Três Rios (RJ), o Fórum das Entidades Representativas do Ensino Superior considerou o antigo Provão "potencialmente viciado", e reivindicou nesta quinta-feira que o Ministério da Educação suspenda o exame, marcado para 8 de novembro. A entidade quer que o MEC reveja o sistema de segurança para garantir o sigilo, além de refazer as questões do exame. Acreditamos que o ministro cancelará o Enade para refazer a prova (José Roberto Kovac)
Os representantes não descartam acionar a Justiça, caso o governo mantenha a data do exame com o mesmo conteúdo das provas. O Fórum, que congrega cerca de 60% das mais de 2 mil instituições privadas de ensino superior do país, entregou um documento ao presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Reynaldo Fernandes, criticando não só a descoberta de caixas de provas sem o lacre de segurança como o silêncio do MEC.
"A falta de manifestação do MEC sobre as providências relativas a respeito de um fato tão grave não só põe sob suspeita o sigilo da prova como também representa um risco aos alunos das instituições de ensino, considerando que estas serão avaliadas com base neste processo potencialmente viciado", afirmam os dirigentes do fórum no documento.
Na terça-feira, quatro caixas cheias de provas que não tinham lacre de segurança foram descobertas pela Polícia Rodoviária Federal em uma caminhonete, durante fiscalização de rotina na BR-393, em Três Rios (RJ). O MEC decidiu manter a data do exame, com as mesmas provas, e considerou que não houve quebra de sigilo. O Ministério Público abriu inquérito para apurar o caso.
O fórum, por meio de seu diretor jurídico, José Roberto Kovac, afirmou que, caso o ministro Fernando Haddad não suspenda a realização do exame para elaborar nova prova, as instituições de ensino podem acionar o MEC judicialmente.
- Primeiro, queremos uma resposta oficial do ministério. Acreditamos que o ministro cancelará o Enade para refazer a prova. Amanhã (sexta-feira), o fórum vai se reunir para decidir o que fazer caso o MEC mantenha essa posição. Uma das possibilidades é buscar uma medida cautelar, na Justiça, visando a cancelar a realização dos exames.
Fonte: http://oglobo.globo.com/

quinta-feira, outubro 22, 2009

Concurso para garis atrai 22 mestres e 45 doutores no Rio


Com inscrições abertas desde o dia 7, o concurso público para a seleção de 1.400 garis para a cidade do Rio já atraiu 45 candidatos com doutorado, 22 com mestrado, 1.026 com nível superior completo e 3.180 com superior incompleto, segundo a Comlurb (Companhia Municipal de Limpeza Urbana). Para participar do concurso, basta ter concluído a quarta série do ensino fundamental. As inscrições terminam amanhã. Somados, os candidatos que já passaram pelos bancos de universidades representam quase 4% dos 109.193 inscritos até anteontem. Os anos de estudo a mais, porém, não devem colocá-los em vantagem na disputa --a seleção é feita por meio de testes físicos, como barra, flexão abdominal e corrida. Aqueles que forem contratados trabalharão 44 horas por semana e receberão salário de R$ 486,10 mensais, tíquete alimentação de R$ 237,90, vale-transporte e plano de saúde. A remuneração poderá ser acrescida ainda de um adicional por insalubridade. Aluno do segundo período de história da Estácio de Sá, no Rio, Luiz Carlos da Silva, 23, disse ter ouvido muitos comentários preconceituosos dos colegas quando contou que disputaria uma vaga de gari. "Disseram que eu era maluco, que eu ia ficar fedendo a lixo... Mas a faculdade hoje não garante emprego nem estabilidade para ninguém. Eu quero segurança", diz ele, que, no entanto, planeja continuar estudando para no futuro trocar o trabalho de gari pelo de professor de escola pública. "Meu sonho é dar aula, é o que eu gosto de fazer", afirma o estudante de história. Já Ronaldo Carlos da Silva, 42, ex-aluno do curso de letras da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), vê no concurso de gari a chance de reorganizar a vida, após um ano de desemprego. Se for bem-sucedido, pretende voltar à sala de aula, que teve de abandonar quando ainda estava no terceiro período do curso -sem trabalho fixo, tinha dificuldades até para pagar o transporte para ir à universidade. Insatisfeito com a faculdade de letras, porém, quer cursar direito. "Vou fazer um curso preparatório", planeja. Também desempregada, Thaiane do Prado Gomes, 21, estranhou ao ouvir que iria disputar vagas com pessoas com curso superior e até mestrado e doutorado. "Isto aqui é para quem não tem escolaridade. Para os outros tem mais oportunidade. Eu mesma, que completei o segundo grau, fiquei na dúvida se devia me inscrever."  

domingo, outubro 18, 2009

István Meszáros

Istvan Mészáros é de Budapeste, Hungria, e tão logo se diplomou em Filosofia tornou-se assistente de Georg Lukács na Universidade de Budapeste. Em 1955 foi forçado a exilar-se, primeiro na Itália e depois na Inglaterra, onde se tornou professor da Universidade de Sussex. Tem diversos livros publicados no Brasil. Pela Editora Ensaio, SP, já foram publicadas as seguintes obras: “A obra de Sartre: busca da liberdade” e “Filosofia, ideologia e ciência social”; mais recentemente, pela Editora Boitempo, SP, foram publicadas as seguintes: “A educação para além do capital”, “O poder da ideologia” e “O século XXI: socialismo ou barbárie?”

I Encontro Brasileiro de Educação e Marxismo


I Encontro Brasileiro de Educação e Marxismo: Carta de Bauru - Professores, pesquisadores e estudantes de Alagoas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins, reuniram-se em Bauru para o I EBEM com o objetivo de desenvolver iniciativas aglutinadoras dos marxistas no campo da pesquisa educacional, no plano epistemológico e no conjunto das lutas sociais. O Encontro contou com 322 participantes, os quais apresentaram 109 trabalhos, 95 comunicações orais e 14 painéis. Das comunicações orais, os temas contemplados foram: Educação e Trabalho (20), Marxismo, Ciência e Educação (19), Formação de Professores (18), Políticas Públicas em Educação (14), Psicologia Sócio-Histórica (13), Educação Brasileira em Diferentes Níveis/Cenários (07) e Movimentos Sociais e Educação Popular (04). Foram, também, realizadas, 4 mesas redondas, envolvendo 11 participantes. As mesas que trataram de “Marxismo, Ciência e Educação: a prática transformadora como mediação da produção do conhecimento!, “Educação e Marxismo: Diferentes Concepções”, “Psicologia Sócio-Histórica e a prática educativa” e “Políticas públicas em Educação”, as comunicação orais e os painéis reafirmaram o marxismo como instrumental teórico e político, questionaram as atuais políticas neoliberais na área da educação no país e primaram pela qualidade teórico-metodológica.

Lançamento de livro


Professora Socorro Aguiar e eu em 2007 durante a III Bienal Nacional do Livro. Minha orientadora desde a graduação, passando pelo mestrado e seguindo no doutorado. Sem sombra de dúvida uma das maiores figuras humanas e grande educadora  do nosso estado. Na ocasião, lançando nossos respectivos livros. O livro de Socorro Aguiar é fruto de sua tese de doutoramento e representa um valoroso debate sobre "Qualidade e cidadania nas reformas da educação brasileira: o simulacro de um discurso modernizador", que dá título a obra. No meu caso, o livro é o fruto da minha dissertação de mestrado e tem como título: "A reforma da Universidade no Brasil: um discurso (re)velador". Os interessados na compra devem entrar em contato direto com os autores e/ou pelo site da Edufal (www.edufal.com.br).

sábado, outubro 17, 2009

A aula e o discurso


No antigo CHLA/UFAL, em palestra (2008). Na ocasião, debatendo desde a reforma universitária atual (PL.7200/06) ao projeto político do governo Lula para além de 2010. Na ocasião lembro de alguns elementos constitutivos da Análise do Discurso que permanecem presentes e latentes nesses momentos e isso é possível pois "o discurso é muito mais do que comunicação e efeito de sentidos; é o encontro e o confronto social, é o reflexo e refração da totalidade; é o momento no qual os sujeitos se colocam e/ou se deslocam entre os demais e as suas ideologias, conscientes ou não desse feito". De lá para cá, não perdi a capacidade de mediar uma reflexão da realidade de forma radical, no entanto, o horizonte crítico daqueles estudantes que me ouviam e cercavam a universidade em busca de transformações  - em si mesmos e no todo -  já não se apresentam tão facilmente e, tampouco, se incomodam com a possibilidade permanecermos nesse estado de coisas. A realidade muda, o interlocutor muda, o público muda e o discurso também, queira eu ou não. O sentido já não é o mesmo, mesmo quando tento novamente exaltá-lo!


Excelente texto de Eliane Brum


Vale a pena tirar uns minutos para ler esse excelente texto  de Eliane Brum. A forma como aborda a educação a partir de um tema diferente da cartilha comum dos educadores ditos progressistas e, ao mesmo tempo, dando um enfoque corajoso dos espaços escolares privados e sua forma nada pedagógica de desenvolver os processos educativos e sociais das nossas crianças.(LEIA A COLUNA DE ELIANE BRUM NA ÍNTEGRA)